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A Maria da Fonte

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Manifestação genuína do poder popular, a revolta da Maria da Fonte ainda hoje personifica a luta pela liberdade e justiça social.

No ano de 1846, num país subvertido política, económica e socialmente, eis que deflagra na Póvoa de Lanhoso, uma revolta popular liderada por um grupo de mulheres do povo, que num misto de anarquia e defesa dos valores tradicionais, tiveram a coragem de fazer frente à autoridade local e central.

No despoletar da revolta estiveram as leis da saúde de novembro de 1845 que, entre outras disposições, proibiam os enterramentos nas igrejas como sempre se fizera até aí, obrigando a que estes fossem efetuados nos cemitérios, bem como, a implementação de um novo sistema tributário da propriedade.

Em janeiro de 1846, o pároco da freguesia de Fontarcada, querendo cumprir as leis sanitárias e como ainda não estava construído o cemitério, mandou enterrar um cadáver no adro da igreja. Esta decisão levou a que os ânimos se exaltassem e um grupo de mulheres, lideradas pela Maria da Fonte, amotinaram-se junto da igreja. Revoltadas, procederam à exumação do corpo e sepultaram-no no interior da igreja ao som do toque dos sinos a rebate, exaltando gritos contra os Cabrais: “Viva a rainha! Abaixo os Cabrais e as leis novas.”

Foi a partir deste tumulto que as autoridades perderam o controlo dos acontecimentos e a revolta ganhou uma maior dimensão humana e geográfica por todo o reino, assumindo-se como uma revolta regional que culminou na queda do Governo de Costa Cabral.

0 maestro Ângelo Frondoni compôs por essa ocasião o hino popular que ficou conhecido pelo nome de Maria da Fonte ou do Minho,  e por muito tempo foi o canto de guerra do partido progressista em Portugal. É este o hino com que ainda hoje se saúdam os ministros portugueses em cerimónias civis e militares.

A Maria da Fonte é título de um jornal (125 Anos do Jornal Maria da Fonte - PDF 8MB), inspirou escritores, jornalistas, poetas, dramaturgos, musicógrafos, pintores, caricaturistas e foi, por diversas vezes, litografada.

Desdobrável Maria da Fonte  (PDF 0.6MB)

A história de Portugal regista no século XIX, concretamente no ano de 1846, senão uma das mais relevantes revoluções, talvez a revolta mais popular e enigmática do período contemporâneo, criando uma personagem mitigada entre o romantismo poético e a reação naíf, com a plasticidade bastante e uma considerável elasticidade, capaz de permitir a construção de um símbolo para todo um império a partir de uma figura do povo: a Maria da Fonte.

A Póvoa de Lanhoso é o berço da revolta e da sua principal figura, começando a divergir na história de Portugal quando se analisam as causas e razões dos levantamentos populares, ou ainda mais, de forma quase insolúvel, quando se tenta consubstanciar a identificação do nome ou cognome “Maria da Fonte”.

A história de Portugal regista nos seus anais de inícios do Séc. XIX um período de uma grande conturbação sobretudo politica e social, mas também económica. Recordam-se nos primeiros anos da centúria de oitocentos a invasão de Portugal pelos exércitos franceses de Napoleão Bonaparte com a subsequente viagem do Rei D. João VI para o Brasil (acompanhado pelo séquito que envolve o acompanhamento da Corte). São exatamente estes dois factos, complementados pelos interesses ingleses em Portugal que vão contribuir decisivamente para que as novas realidades criadas pela instituição de regimes liberais, rapidamente ganhem corpo e conduzam à nossa revolução liberal de 1820.

Com a implantação do Liberalismo em Portugal em 1820, a situação de grande instabilidade em vez de se acalmar vai antes ser ampliada, mercê de permanentes e constantes confrontos e lutas que chegam mesmo a alcançar foros de guerra civil.

Os golpes e contragolpes, políticos e palacianos, vão ganhando dimensão com a aprovação da Constituição de 1822, e renovando protagonistas com a Carta Constitucional de 1826 ou com a Constituição de Setembro de 1836, onde as distintas e diversas forças ou tendências se digladiam pelo lugar ao sol.

Se num primeiro momento as lutas são entre Liberais e Absolutistas, após 1826 surgem os Cartistas (defensores da Carta Constitucional de 1826), passando as disputas a acontecer apenas entre liberais após a Convenção de Évora-Monte e o exilio de D. Miguel em 1834, na sequência da Revolução de Setembro, originando nova fação política (os Setembristas) que será protagonista até à vitória dos liberais conservadores com a Regeneração em 1851.

É exatamente na sequência da guerra Civil de 1832-1834 que se inicia o que foi denominado de criação das bases do Portugal moderno, com uma produção legislativa muito intensa onde figuram nomes como Mouzinho da Silveira, Joaquim Augusto de Aguiar, Passos Manuel, Sá da Bandeira, entre tantos outros… e onde se enquadra a Revolta da Maria da Fonte.

O ambiente político e social é, pois, extremamente delicado e conturbado, a aniquilação das estruturas do antigo regime provoca grandes ruturas, legislando-se por vezes de forma “violenta” sem atender às nuances e diversidades que marcam o país, procurando-se e pretendendo-se a aplicação, quase em tempo real, de idênticas regras para as grandes cidades como para as aldeias mais recônditas, o que naturalmente causa perturbações e origina reações.

São exatamente as perturbações provocadas pelo exercício de uma ação governativa com grande autoritarismo, como aconteceu de forma particularmente marcada com Costa Cabral, sem perceber ou atender às naturais diversidades, que contribuirá para o desenvolvimento de sentimentos exacerbados, com causas múltiplas e alvos diversos, e para um aproveitamento político de todas as forças politicas que permanentemente se continuavam a confrontar.

 

Atualizado em: 24 de fevereiro de 2015

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